Multa CNH e Bafômetro: O Que Fazer em Caso de Infração por Álcool

Multa CNH e Bafômetro: O Que Fazer em Caso de Infração por Álcool

Multa CNH e Bafômetro: O Que Fazer para evitar problemas e recorrer de forma correta? Saiba como agir, os seus direitos e as possíveis penalidades ao ser flagrado nessa situação!

Dirigir sob a influência de álcool não é apenas uma questão de imprudência; é uma ameaça à segurança de todos no trânsito e, legalmente falando, um caminho para dores de cabeça sérias. Além disso, a desinformação, muitas vezes, é nossa pior inimiga, levando a decisões erradas e a um desconhecimento profundo sobre nossos direitos e deveres.

Neste post, vamos juntos entender a Lei Seca,  o que realmente acontece em uma blitz, quais são as consequências de uma autuação e, o mais importante, como agir e quais são os seus direitos caso você ou alguém que você conheça se depare com uma infração por álcool. Por isso, prepare-se para informação que pode te salvar de muitos problemas!

2.Multa CNH e Bafômetro: O Que a Legislação Diz?

No Brasil, a Lei Seca é levada muito a sério, e com razão. Bem como, ela se baseia principalmente em dois artigos fundamentais do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): o Art. 165 e o Art. 306.

  • O Art. 165 trata da infração administrativa: dirigir sob influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência.
  • Já o Art. 306 eleva a situação a um patamar criminal: conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância.

E aqui vem a parte que mais gera dúvida: no Brasil, a tolerância é praticamente zero. Por mais que existam pequenas margens de erro no bafômetro (etilômetro), o objetivo da Lei Seca é claro: não beba e dirija. Além disso, qualquer quantidade detectável de álcool já pode configurar a infração administrativa. Sendo assim, a definição de “infração por álcool” não se limita apenas ao teste do bafômetro positivo; ela também pode ser constatada por meio de sinais visíveis de alteração da capacidade psicomotora do motorista, como desorientação, fala arrastada, dificuldade de equilíbrio, entre outros.

3. O Bafômetro: Como Funciona e Suas Implicações

O etilômetro, popularmente conhecido como bafômetro, é um aparelho tecnológico que mede a concentração de álcool no ar expelido pelos pulmões. Funciona assim, você assopra no aparelho e, em segundos, ele indica se há presença de álcool e em que quantidade. Em suma, é simples, rápido e, para a lei, muito eficaz.

“Mas eu posso recusar o bafômetro?” Sim, você tem o direito de recusar-se a fazer o teste. No entanto, o Art. 165-A do CTB é explícito: a recusa em se submeter a qualquer procedimento ou aparelho que permita certificar a influência de álcool já configura a infração administrativa, com as mesmas penalidades daquele que é flagrado com a alteração. Ou seja, recusar não te livra da multa, da suspensão da CNH e da retenção do veículo. Na prática, a recusa é interpretada como uma admissão de culpa para fins administrativos.

Um ponto importantíssimo é a calibração do aparelho. Por isso, para ter validade legal, todo etilômetro precisa estar aferido e aprovado pelo INMETRO. Em suma, é seu direito questionar a validade da última aferição do aparelho – essa informação deve estar disponível ou ser apresentada pelos agentes de trânsito.

4. Multa CNH e Bafômetro: As Consequências da Infração

Ah, as consequências! Elas não são poucas e pesam no bolso e na sua liberdade de ir e vir.

  • Multa: O valor é altíssimo! Atualmente, estamos falando de uma multa de R$ 2.934,70. E se houver reincidência em menos de 12 meses, o valor dobra para quase R$ 6.000,00! 
  • Suspensão da CNH: A suspensão da sua Carteira Nacional de Habilitação é de 12 meses. Isso mesmo, um ano sem dirigir. E para recuperar a CNH, você precisará fazer um curso de reciclagem e ser aprovado em uma prova teórica.
  • Retenção do Veículo: Seu carro será retido no local da abordagem até que um condutor habilitado e sóbrio possa retirá-lo. Além disso, caso não haja quem possa fazer isso, o veículo pode ser removido para um pátio do Detran, gerando custos adicionais de guincho e diárias.
  • Processo Criminal (se aplicável): Se a concentração de álcool for igual ou superior a 0,34 miligramas de álcool por litro de ar alveolar (0,68 decigramas por litro de sangue) OU se houver claros sinais de alteração da capacidade psicomotora, a infração deixa de ser apenas administrativa e se torna um crime de trânsito. Isso pode resultar em pena de detenção (de seis meses a três anos), multa e suspensão ou proibição de se obter a habilitação para dirigir.

5. Multa CNH e Bafômetro:Fui Autuado: Quais são os Primeiros Passos?

O coração acelera, o nervosismo bate, mas manter a calma é fundamental! No momento da abordagem, observe atentamente:

  • Dados no Auto de Infração (AIT): Verifique se todas as informações estão corretas: seus dados, os dados do veículo, local, data, hora, descrição da infração, identificação do agente, e, principalmente, se o aparelho bafômetro está identificado (número de série e data da última calibração). Erros no preenchimento podem ser a chave para sua defesa.
  • Peça uma cópia: Exija uma cópia do Auto de Infração. É seu direito.
  • Documentação: Mantenha consigo a CNH e o CRLV (documento do carro).
  • Não Admita Culpa: NUNCA assine documentos sem entender o que eles significam ou admita sua culpa verbalmente. Tudo o que você diz pode ser usado contra você. O silêncio é seu melhor amigo nesse momento. Assinar o auto de infração não é admitir culpa, é apenas registrar que você recebeu o documento. Se houver campo para observações, use-o para registrar qualquer inconformidade ou para indicar que você não concorda com a autuação.

6. Multa CNH e Bafômetro: Como se Defender e o Caminho para Recorrer

Ainda que a situação pareça desanimadora, a autuação não é o fim da linha. Você tem o direito de se defender!

  • O Prazo é seu Amigo: Fique atento aos prazos! Cada etapa do recurso tem um período específico para ser apresentada. Perdê-los significa perder sua chance.

Defesa Prévia

  • O que é e para que serve: É a primeira chance de contestar a autuação, logo após receber a notificação. Serve para apontar erros formais no Auto de Infração, como dados incorretos, falta de informações obrigatórias, ou falhas no procedimento da abordagem.
  • Argumentos comuns: Erros de digitação, falta de sinalização adequada no local, inconsistência entre a infração descrita e o artigo do CTB, ou a não apresentação da certificação do bafômetro.

Recurso à JARI (Junta Administrativa de Recursos de Infrações)

  • Quando e como fazer: Se a defesa prévia for indeferida ou se você perder o prazo, a JARI é a próxima instância. É aqui que você pode apresentar argumentos mais aprofundados, provando que a infração não ocorreu ou que houve falhas no processo.
  • Argumentos mais aprofundados: Aqui você pode discutir a fundo a validade do teste, a aferição do equipamento, a ausência de sinais de alteração psicomotora (se for o caso) e a ilegalidade de aspectos da abordagem.

Recurso ao CETRAN (Conselho Estadual de Trânsito)

  • Última instância administrativa: Se a JARI também negar seu recurso, o CETRAN é a última parada na via administrativa. É um processo mais técnico e exige um embasamento jurídico sólido.

A Importância da Assessoria Jurídica Especializada

Você pode tentar recorrer sozinho, mas a verdade é que as leis de trânsito são complexas. Um advogado especializado em trânsito faz toda a diferença. Ele conhece os meandros da legislação, sabe identificar erros processuais, argumentar de forma eficaz e apresentar os melhores recursos em cada etapa. É um investimento que pode te poupar muita dor de cabeça e, claro, sua CNH! ⚖️

 

8. Conclusão: Informação é Poder

Passar por uma autuação de trânsito, especialmente por algo tão sério como a Lei Seca, é assustador. Mas o conhecimento é a sua maior ferramenta.

Relembramos as severas consequências de dirigir alcoolizado, seus direitos no momento da abordagem e, principalmente, o caminho para se defender e reverter a situação na esfera administrativa. Lembre-se que cada caso é único e merece atenção individualizada.

Por isso, se você ou alguém que conhece passou por essa situação, compartilhe este conteúdo! A informação salva.

Não hesite em buscar auxílio profissional. Um bom advogado especializado em direito de trânsito pode ser o seu maior aliado.

E, acima de tudo, dirija com responsabilidade! Sua vida e a segurança no trânsito agradecem.

 

9. Perguntas Frequentes (FAQs)

Vamos esclarecer algumas das dúvidas mais comuns sobre o assunto:

  • “Se eu recusar o bafômetro, perco a CNH do mesmo jeito?” Sim, conforme o Art. 165-A, a recusa em se submeter ao teste já é, por si só, uma infração que acarreta as mesmas penalidades de quem é flagrado sob influência de álcool: multa e suspensão da CNH por 12 meses.
  • “Posso dirigir enquanto o recurso está em andamento?” Sim! Enquanto seu recurso estiver tramitando na esfera administrativa e não houver uma decisão final desfavorável, sua CNH continua válida e você pode dirigir. O importante é ficar atento aos prazos e às notificações.
  • “O que acontece se eu for pego novamente?” (Reincidência) Se você for flagrado dirigindo sob influência de álcool ou se recusar o bafômetro novamente em menos de 12 meses, a multa dobra de valor (para quase R$ 6.000,00) e, em vez da suspensão, você terá a CNH cassada por dois anos.
  • “É possível reverter a suspensão/cassação?” Administrativamente, sim, através dos recursos que explicamos. Judicialmente, em último caso, também é uma possibilidade, mas isso depende da análise do seu caso por um profissional do direito.